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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Num meio tempo

Andei bastante nesse meio tempo.
Passei por ruas estranhas e desertas, outras lotadas e movimentadas cumprimentando uns e outros com aquele sorrisinho no canto da boca que só eu sei o significado.
Sentei nos bancos de praça pra ver o tempo passar e acabava alimentando pássaros. Eram minhas migalhas atiradas aos pássaros azuis.
Quando chovia, caía do alto um som convidativo à dança e molhava as ruas e minhas roupas gota por gota num batuque que me chamava pra cantar. No fim das contas, eu aproveitava pra chorar baixinho na chuva,  nem dançava e nem cantava, só chorava, porque sabia que era a camuflagem perfeita das gotinhas salgadas.
Ouvi umas histórias nesse meio tempo.
Ouvia atentamente os contadores que encontrava e saia remoendo suas palavras pra finalmente entender que é verdade quando dizem que existem problemas maiores que os meus. De fato, mas os meus são chatos tão quão os deles.
Vi gente. Era gente de todo tipo, de tudo que é cor, e no meio delas tive vontade de rever algumas num sábado de feijoada em casa ou na ceia de natal.
Andei sem calcular tempo ou a intensidade. Larguei tudo que eu não fazia pra ver gente.
Encontrei, gente.
Tem tanta coisa boa nesse mundo ainda e a gente aqui perdendo tempo com gente foda.
É só sair num meio tempo, vai que acontece.

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mdutra

3 comentários:

Tainna disse...

=D

rafael disse...

num meio tempo acontece tantas coisas, as quais são capazes de mudar nossa vida de uma hora para outra ;//atitudes de certas pessoas,decepções,enfi, são inúmeros fatores para fazer do tempo algo único e singular :DD

Senta um pouco, eu te conto disse...

e tudo isso, num meio tempo :x